Quem é?

Simão do Vale Africano 

por Rossana Mendes Fonseca

 

O Simão habitou o Teatro desde muito cedo (onde representou, encenou, traduziu e produziu durante mais de uma década), mas a sua incursão na Fotografia resultou de uma antiga reflexão sobre a captura do tempo ou a materialização visual do processo de percepção. Durante um longo período – enquanto se fascinava tanto por imagens como por palavras – encenar e fotografar intersectavam-se num certo modo de compor um quadro (tableau), de estabelecer linhas e padrões, de criar um ambiente, uma hipótese de acção, de inventar uma forma de existência. Hoje, (re)cria espaços onde luz e cor são moduladas, espaços eminentemente narrativos, mas cuja apresentação requer uma qualquer e imprescindível distância, uma “higiene” do olhar. 

É para si certo que a liberdade só pode vir da imaginação; e o impulso imanente da “imaginação viva”, aliado a uma escrupulosa concretização de domínio consciente, é o percurso indispensável para uma escrita de si. 

“Capturamos um pedaço de tempo que é quase aleatório, porque não temos a certeza do que é que vai entrar ou não no sensor (ou na película) e tudo passa pela relação com a nossa visão e com a nossa percepção de tempo e de movimento (que mais não é do que o tempo a arrastar-se à nossa frente).”

Em todos os dias que passam, o Simão morre um bocadinho, dorme pouco e sonha relativamente. Acorda tarde, irrequieto e, talvez porque tenha crescido numa casa de loucos, tenta nutrir-se todas as “manhãs” de humor e beleza, as suas armas favoritas contra a inevitabilidade.

© 2026 Simão do Vale Africano

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